Deixa partir…
“Mas, que alma nômade é essa que você tem?”
“Ah… Acho que já nasci assim! Faz parte de mim!”
“E o namorado? Tem esse espírito livre também?”
“Não tenho namorado, não. Mas, também não me prendo a esses detalhes”
“Não? Então, como é que faz?”
“Não faz. Minha mãe diz que meus namorados são tão livres quanto eu ou acabam aceitando o meu desprendimento”
Essa conversa rolou essa manhã no dentista. Depois disso, a Dr. Dentista continuou dissertando sobre amor, a falta de paciência e tolerância das pessoas com os relacionamentos, coisa e tal… Mas, eu já tava com a boca escancarada e só saía o “Aham”.
Não sei se foi a anestesia ou a impossibilidade de falar mas, meus pensamentos foram embora lá pra época do meu primeiro namorado no Rio de Janeiro. Depois de 10 meses de relacionamento, ele surge com uma proposta do padrasto de ir para um intercâmbio – sozinho, é claro. A minha reação, mesmo aos 19 anos foi: “Caralho! Você vai amar! Vai sim!” e a surpresa das pessoas foi unânime. Diziam que eu era maluca, que meu relacionamento poderia acabar, que IRIA acabar, que ele iria encontrar outra, que… que… que-mais-um-monte-de-coisas! O relacionamento realmente acabou mas, já tava fadado ao fracasso muito antes disso! (Engraçado como a percepção da gente muda com o passar do tempo, né?) Mil coisas martelavam na caixola sim porque, mesmo magra, loira e bronzeada a insegurança já fazia parte da minha rotina! Mas, nunca havia passado pela minha cabeça que eu pudesse segurá-lo ou pedir pra que não partisse. Pra mim, é muito absurdo tentar privar alguém de uma oportunidade fodarástica como essa. E porque que eu não fui junto? Ah, convenhamos… É uma experiência muito pessoal, muito única pra dividir com alguém que você não sabe até quando vai estar ao seu lado. Não me meto mesmo! Esperei 2 anos e embarquei na minha própria aventura! Eu, minhas economias e meus sonhos! Só.
Eu sou um espírito livre, tenho alma de viajante, tenho fome pelo novo, curiosidade incansável do diferente… Meto o pé na estrada, deixo todo mundo pra trás, levo no meu coração as memórias e sigo em frente! Sou dessas!
Dizem por aí que posso acabar mordendo a língua, que isso só acontece assim pra mim porque não tenho um coração apaixonado por ninguém – ele tá muito ocupado apaixonado por mim e pelos meus desejos – então, não visualizo esse “futuro”. Pode até ser porém, prefiro acreditar que se realmente existir alguém pra mim nesse mundão, que venha com muitos defeitos – menos, o defeito de ser pagodeiro – mas, que não tente me aprisionar. Afinal, quando realmente existe o amor, deixe-o solto que ele sempre acaba voltando.
Tô com a impressão que meus posts estão ficando muito reflexivos e, por mais que eu tente, nunca consigo expurgar tudo que me aflige. Talvez eu esteja precisando passar mais tempo filosofando no bar do que discutindo essas questões comigo mesma. Anyone?

